O Amor a Manel Cruz fez-se sentir na Latada

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Público foi surpreendido com a antecipação da hora de início do concerto. Quando chegou ao recinto, o ex-vocalista dos Ornatos Violeta, agora em projeto a solo, já encantava os poucos que chegaram mais cedo. Texto por Isabel Simões. Fotografias por André Crujo

Ana Vidal trabalha na Fundação da Mata do Bussaco. Há cerca de 20 anos que Manel Cruz é o seu “artista cantor favorito”. Ainda na sexta-feira passada viu um concerto dele no Centro Cultural de Ovar. Temas de Foge Foge Bandido e do disco “ O Monstro precisa de Amigos”, o segundo do tempo em que o artista pisava os palcos com os Ornatos Violeta, estão entre os seus favoritos. O primeiro viu-o no Teatro Académico de Gil Vicente no último concerto que deu com os Ornatos Violeta.

Luís Costa, aluno da Escola Superior de Educação de Coimbra no curso de Comunicação Social, mostrou a desolação por ter sido alterado o horário de apresentação de aquele que considera ser “um dos melhores compositores de música”. Canções como “Larga Borboleta” também estavam na espectativa de serem ouvidas. O espetáculo de Manel Cruz não esmoreceu. Ao longo do tempo, o artista foi falando com o público presente. Na conferência de imprensa, referiu que “é sempre fixe” vir a Coimbra. “No início estava pouquinha gente, mas parte-se sempre para a luta e depois compôs-se”, disse.

Se pudesse assistir à conferência de imprensa, Ana Vidal perguntaria para quando o próximo trabalho, anunciado primeiro para abril e depois para setembro. Manel Cruz apontou que vai sair a tempo da “meia do pinheiro”, antes do Natal.

Bernardo Tomás, aluno do curso de Arqueologia na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), chegou com espectativa elevada. O estudante da FLUC ouviu o compositor pela primeira vez quando tinha sete anos. Os pais levaram-no a um concerto de Ornatos Violeta.

“Uma vez um casal disse-me que deu o nome de Raquel à filha por causa dos Ornatos Violeta”, revelou Manel Cruz à comunicação social. “A arte tem essa coisa e por isso é que eu acho que ela existe, muito pela necessidade que as pessoas têm da comunicação”, constatou. “Eu também tenho os meus ídolos, que também comunicam comigo. Em determinadas alturas da minha vida foram importantes para resolver a minha cabeça, para sentir coisas”, disse. Manel Cruz aproximou-se à arte através das artes plásticas. “Sempre gostei muito de desenhar”, demonstrou. O artista referiu que sempre gostou da magia de conseguir inventar “uma realidade nova”.

Quando questionado sobre o que diferencia os espaços onde realiza concertos, o ex-Ornatos Violeta considera que são estados de espírito muito diferentes. Paredes de Coura, onde o artista atuou no verão passado, já entra no campeonato da “romaria do ar livre”. Quando o concerto se realiza num espaço mais recolhido como, por exemplo, um aditório, “há o silêncio e um espaço”. Sem se comprometer com a valorização das opções, prefere “entrar no espírito” mesmo sabendo que não vai haver a mesma atenção. “Se calhar a diferença entre Paredes de Coura e a Latada é um bocadinho de menos álcool”, ironiza.

Manel Cruz tem colaborado com pessoas diferentes, desde Ana Moura e Barrako 27 a Samuel Úria ou Carlão. Para daqui a dez anos, ambiciona o que já tem agora. “Quero sempre continuar a fazer coisas novas porque acho que isso é o motor”, afirmou.

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