Frio de Janeiro aqueceu a Latada

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Penúltimo dia do festival apresenta o regresso do artista a “casa”. Alegria da música servida em vários formatos estilísticos. Texto e fotografias por Pedro Emauz Silva

Na poeira do recinto da Festa das Latas e Imposição de Insígnias 2018, eram poucas as pegadas que se viam em redor do Palco Principal na chegada de Janeiro. Apesar de se governar uma noite fria, o artista não mostrou dificuldades em encontrar o afeto caloroso do público. Esse que começou pequeno e algo reticente nas primeiras baladas do músico e cresceu, emocionado pela genuinidade expressa pelos acordes e voz de Janeiro.

“Coimbra é a minha cidade”, relembra o músico. Ele que nasceu e por cá viveu até atingir a maioridade, sentiu-se de novo em casa numa atuação inundada pela alegria da música. Foram constantes os honestos desabafos de Janeiro que comprovavam isso mesmo. “Estou tão contente”, ia suspirando no seu tom sempre descontraído.

Também sobre o pó do recinto assentavam uns quantos regressos a “casa”. Carolina Fernandes é uma ex-estudante de Ciências da Educação na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, e conta que conhecia a banda onde Janeiro atuava quando ainda vivia em Coimbra. Em resposta ao número de pessoas a assistir ao espetáculo, Carolina lamenta que não estivesse mais gente. “As gerações de hoje em dia têm mais preferência por conteúdos mais ‘mainstream’”, justifica.

A noite manteve-se fria mas o número de espetadores na plateia lá se via a crescer. Não demorou para que Janeiro entoasse a sua graça. Letras como a de “Canção Para Ti”, “Desencanto” e “(sem título)” foram regidas pela voz tanto do público como de Janeiro, que esboçava genuínos sorrisos perante o afeto retribuído da plateia. “Fui ganhando o público e gosto de fazê-lo, pois é uma sensação ótima não ter quase ninguém para no final estar quase cheio”, explica o artista em conferência de imprensa já após a sua atuação.

Janeiro foi assim detentor de total controlo da ‘vibe’ sentida em todos presentes. “Venham nesta viagem comigo”, exclamava espontaneamente antes de quase todas as canções. “Não quero ir sozinho na minha música, quero ir com toda a gente”, justificava. E esteve acompanhado toda a atuação. Até por aqueles que à partida não o conheciam, como é o caso de Rafaela Costa, estudante de Design Multimédia na Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, que estava presente na primeira fila e a considerar o artista “muito bom”.

Foi com o animado e ‘jazzístico’ ecoar do instrumental da sua banda que Janeiro abandonou o palco, depois de um frenético aplauso. “O concerto foi duro porque começou com pouco público, mas no fim estava cheio e foi muito fixe”, realça o artista. Nesse mesmo público, saltava à vista a variedade na faixa etária da plateia. “Fico contente com isso e acho que faz todo o sentido. O meu objetivo é chegar aos seres humanos, sem pensar na idade ou género ou o que seja”, elucida.

“É difícil descrever a minha música, que passa muito entre R&B, o jazz, pelo hip-hop por vezes”, explica Janeiro de um modo compreensivo perante aqueles que “não percebam” as canções do mesmo. No entanto, o músico não demonstra sinais de querer alterar o seu trabalho. “Este é o meu primeiro ano de carreira e estou-me a apresentar ao público assim”, sublinha.

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