Mondeguinas batem o pé enquanto Desconcertuna e Estudantina desafinam com a organização

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Noite marcada pelas críticas à Comissão Organizadora. Estudantes lamentam pouco protagonismo dos grupos académicos. Texto por Luís Almeida. Fotografias por Luís Almeida e Micaela Santos

Batia a Torre da Universidade de Coimbra (UC) as 22h30 quando as Mondeguinas – Tuna Feminina da UC subiram ao palco da Festa das Latas e Imposição de Insígnias para anunciar que não iam atuar. O grupo académico afirmou que não vai continuar a compactuar com as “faltas de respeito”. As tunas que atuaram mais tarde também se pronunciaram contra a organização.

Estava marcada a posição das Mondeguinas. De seguida, subiu ao palco a Desconcertuna – Tuna Mista da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da UC num tom mais animador. “Isto está cheio! De poeira”! entoou pelo Parque da Canção de modo a realçar a plateia pouco composta. “Não podemos chamar os antigos membros ao palco senão ficamos sem público”, disseram em tom de gozo.

No entanto, depois deste momento, o assunto ficou mais sério e os membros da Desconcertuna pediram um minuto de silêncio pelos tunos e pela “falta de consideração” que há por estes. Continuaram ao louvar a atitude das Mondeguinas e a insistir que “apesar de as pressões que a organização sofre, a festa académica é dos estudantes”. Queixaram-se ainda que da comissão organizadora ouvem sempre as mesmas respostas e desculpas.

“A uma só voz vamos fazer-nos ouvir”. Assim cantou a Desconcertuna o seu “Hino de Estudante”, que em tudo se liga com o objetivo do protesto das Mondeguinas: levar outros grupos a seguir os seus passos de modo a criar impacto. Tânia Pereira, estudante de Enfermagem na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, também considera que se mais grupos se juntarem, “talvez algo mude”.

A estudante de enfermagem prossegue ao afirmar que “é triste não haver público”. “A Latada é para os caloiros e, por isso, deve-se dar mais protagonismo aos grupos académicos para os ficarem a conhecer”, explica. “Até podem estar a perder a oportunidade de se envolver em algo que gostem”, realça a estudante de Enfermagem. Para André Figueiredo, que viu uma tuna pela primeira vez, admite que no início achou estranho, mas “é uma questão de se ambientar”. No fim, conta, acabou por gostar “imenso”.

No final da noite, chegou a vez da Estudantina Universitária de Coimbra animar o Parque da Canção. Para quem não conhecia, começaram por apresentar “Afonso” ao público que ficou para os ouvir. Entre mais guitarradas, também a Estudantina criticou a organização ao referir o plafond de quatro euros que cada membro da tuna teve para comer.

Por fim, e após ter os “velhos” em palco, o grupo académico entoou “Coimbra” para mostrar aos presentes que “Coimbra é uma lição de sonho e tradição”. Francisco Matos, estudante do primeiro ano de Comunicação e Design Multimédia na Escola Superior de Educação de Coimbra, revela que foi a primeira vez que viu uma atuação da Estudantina e esteve à altura das expectativas e teve uma boa interação com o público.

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