“Se eu não acordar amanhã”, acabou a Latada

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Depois do protesto das Mondeguinas e da atuação da Desconcertuna, Piruka entrou em palco para levantar os ânimos. O palco e o público “incendiaram” com a prestação efusiva dos Beatbombers. Texto e fotografias por Micaela Santos

Enquanto o rio Mondego corria junto ao Parque da Canção, Piruka saltava para o palco, numa amálgama de luzes e fumo. As mãos da plateia sobreviviam à maré humana que se agitava de forma frenética. O público gritava as letras das músicas, que não se desprendiam da ponta da língua. O penúltimo dia da Festa das Latas e Imposição das Insígnias 2018 resistiu às baixas temperaturas e trouxe a palco Piruka e Beatbombers.

“É bom voltar a Coimbra”, gritou Piruka no início do concerto para a plateia ao rubro. Ana Rita Almeida, aluna de Enfermagem na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, afirma que este rapper português “consegue transmitir o que viveu” e que isso passa para a plateia. “O Piruka é uma pessoa humilde, que passa o que viveu com a sua música”, concorda Francisco Bettencourt, aluno de Gestão no Instituto Superior Miguel Torga, enquanto se agitava ao som da música. “O Piruka é o Piruka. Não é preciso dizer mais nada”, finaliza.

Já Diogo Dias veio de propósito de Leiria para assistir ao concerto de Piruka na Festa das Latas. “É muito bom ver aqui artistas portugueses”, enuncia. A atuação do rapper português natural de Madorna (no concelho de Cascais) terminou perto das duas horas da manhã, já o frio cortava os mais imóveis. As músicas do concerto foram intercaladas com agradecimentos constantes à plateia.

Beatbombers devolvem os “Verdes Anos” a Coimbra

“Não vinha à Latada há alguns anos. Não tinha tantas pessoas como na Queima [das Fitas], mas havia mais energia”, afirmou o DJ Ride na conferência de imprensa. Este artista e o DJ Stereossauro formam os Beatbombers. Trabalham juntos há mais de dez anos e são produtores do ‘hip hop’ e da música eletrónica em Portugal.

De Mariza a Eminem, de Carlos Paredes a Wet Bed Gang, o repertório dos Beatbombers acordou várias sensibilidades. No entanto, uma das músicas que mais fez o Parque da Canção tremer foi a “Verdes Anos”, um fado de Carlos Paredes com remisturas.

“É pena estar pouca gente. Amanhã é o cortejo, é normal”, diz Francisco Moura, aluno de Ciências do Desporto na Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra. Já Jorge Videira, aluno estreante no curso de Tecnologia e Gestão Automóvel no Instituto Superior de Engenharia de Coimbra, considera que o concerto de “Piruka foi cedo, mas deve ser por causa do cortejo”. Quanto ao concerto dos Beatbombers diz ainda que apreciou “a interação da música com os ecrãs, o fumo e as chamas”.

O DJ Ride e o DJ Stereossauro, enquanto Beatbombers, foram sagrados campeões mundiais de ‘scratch’ e de ‘turntablism’, duas técnicas de manipulação de música com gira-discos e mesa de mistura. Na conferência de imprensa, o DJ Ride afirmou que “o [DJ] Stereossauro tem uma assinatura”, e ele tem outra, mas que ambos têm “as mesmas influências”. Adiantam ainda que vai haver novidades em breve.

Os Beatbombers cederam o Palco Principal à Estudantina Universitária de Coimbra com um ‘sample’ especial da “Balada da Despedida do 5º. Ano Jurídico 88/89”, na voz de Gisela João.

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