Grupos musicais da AAC criticam organização na última noite de Festa das Latas

Orquestra Típica e Rancho e Grupo de Cordas da SF/AAC manifestaram-se contra condições oferecidas. Alexandre Amado considera que queixas à Direção-Geral “não se justificam”. Texto por Miguel Mesquita Montes. Fotografias por Miguel Mesquita Montes e Maria Francisca Romão

Pouco faltava para as 23 horas quando a Orquestra Típica e Rancho da Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra (SF/AAC) surgiu em palco, para o arranque da última noite da Festa das Latas e Imposição de Insígnias. O porta-voz do grupo manifestou, de imediato, o desagrado do coletivo em relação à organização da festividade, ao sublinhar que “a atuação não pode nunca ser feita para apenas seis pessoas”.

A ideia inicial prendia-se com a permanência integral da orquestra em palco e em silêncio, mas “como havia amigos entre o público”, o grupo decidiu descer e instalou-se à frente do mesmo, justifica Emanuel Alves, membro da Orquestra Típica e Rancho da SF/AAC. Foi ainda destacada a falta de condições no que toca à preparação para o concerto, e o porta-voz insistiu que “se é para ensaiar ao ar livre, então o espetáculo é ao ar livre”. Assim, durante cerca de meia hora, o concerto teve lugar na linha da frente.

Uma sessão “simbólica e singular”

Emanuel Alves queixou-se das “pelo menos três” mudanças da hora prevista para a atuação, “impostas pela Direção-Geral da AAC (DG/AAC)”. Reforça a crítica ao argumentar que “é impossível gerir um grupo de estudantes como a Orquestra Típica e Rancho da SF/AAC tão em cima da hora, em especial no mesmo dia que o cortejo da Latada”. Ainda assim, Emanuel Alves garante que esta foi uma sessão “simbólica e singular”, em forma de protesto contra a alegada falta de condições para a sua preparação e para a atuação, e que tal “não costuma nem vai voltar a acontecer”.

“A Orquestra Típica e Rancho da SF/AAC leva a Académica ao peito pelo mundo fora, e é mais bem recebida lá do que na sua própria casa”, denuncia Emanuel Alves. O membro do coletivo reitera o protesto ao referir que a planificação da grelha horária para os grupos da casa devia ser feita ao ter em conta as horas mais vivas do tempo de recinto. Assim, o mesmo conclui que “quem fica a ganhar com a Festa das Latas é a Super Bock, e não a DG/AAC nem a cidade”. No que toca à ligação entre a Orquestra Típica e Rancho e o resto da Academia, o membro considera que esta “está a ser ultrapassada por cidades como Porto e Braga porque vive do e no passado”.

“Alguém tem de abrir o palco”

O presidente da DG/AAC, Alexandre Amado, ressalvou o objetivo de “os grupos académicos tocarem em todas as noites de parque”. Nesse sentido, assegura que todas as condições foram garantidas e que “não foram piores do que as dos dois anos anteriores”. Depois, evidenciou que não se justifica que tais manifestos tenham sido feitos em palco. O dirigente explana que “os grupos queixosos usaram a festa até meio para depois não atuarem”, e que a DG/AAC não ficou satisfeita com a atitude.

“Alguém tem de abrir o palco”, argumenta o presidente, que conta ainda que surgiu, no começo da festividade, um licenciamento de som vindo da Câmara Municipal de Coimbra. Este documento prevê que os artistas de fora apenas atuem até às 3 horas da madrugada, pois são os únicos que proporcionam espetáculos a atingir um volume sonoro de 111 decibéis, o limite estabelecido.

Alexandre Amado confessa que houve limitações na organização da Festa das Latas e Imposição de Insígnias, mas que “a Direção-Geral fez o que pôde com o tempo que tinha”. Adianta, ainda, que há um diálogo a fazer com a SF/AAC, mas que tal “vem desde sempre” e é normal.

Cordas e trajes do avesso

Pouco depois da primeira atuação, foi a vez do Grupo de Cordas da SF/AAC tomar o lugar do grupo anterior, mas já em palco. A intenção de manifestação manteve-se, mas de forma diferente. Entre acordes tocados a alto ritmo e precisão, os intervalos das músicas ficaram marcados por confidências de desagrado para com a organização da festividade. “Espero que estejam a gostar do nosso ensaio”, ironizou o porta-voz deste grupo. “Fizemos um protocolo para vir ensaiar à Latada”, continuou com a crítica à DG/AAC, sustendada pela falta de assistência.

Para fechar a noite, depois dos concertos, chegou a Orxestra Pitagórica da SF/AAC ao cerne da Praça da Canção. Como é habitual, os mais fiéis ao grupo de contracultura não arredaram pé, e a partir das 4 horas da manhã o público mostrou-se ativo no decorrer do resto do espetáculo. Não faltou crítica e interação com os estudantes, naquele que foi o concerto final das noites do parque.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *